

Dione Alves
Entrevista com o jornalista Dione Alves, repórter da revista Viver Brasil

Dione Alves é formado em Jornalismo pela PUC Minas e atua no mercado de comunicação há sete anos. É repórter da revista Viver Brasil, colaborador do Portal Terra, assessor de imprensa e produtor de conteúdo na Pessoa. Além disso, é pós-graduado em Marketing de Relacionamento e presta consultoria na área de relações públicas.
O jornalista relata sobre a sua trajetória e paixão pela profissão, que começou logo na infância, traz os principais desafios do jornalismo e conta sua rotina de trabalho. Veja o que mudou no dia a dia do jornalismo com a pandemia do coronavírus.
Como começou a sua história com o jornalismo?
Dione: Começou na minha quarta série. Isso mesmo! Lembro que tinha uma atividade da antiga disciplina de Ciências Sociais (hoje descontinuada e inserida como Sociologia nos Ensinos Fundamental e Médio) sobre trabalho e sociedade e a pergunta da professora era: ”em qual profissão você se vê daqui 15 anos?” A minha resposta foi: ”sendo um jornalista”. Lembro que para registrar essa resposta no papel foi bem custoso, pois não fazia ideia do que ser no futuro. No entanto, como sempre tive um lado de observador, comecei então a assistir aos telejornais da Globo Minas. Na época, as edições eram apresentadas pela Viviane Santos e pelo saudoso Arthur Almeida. O interessante é que eu anotava numa folha de papel as manchetes de um dia, do outro dia, comparava entre elas, anotava os minutos de cada matéria, que tipo de história elas apresentavam e depois imitava o telejornal no quintal de casa. Era o meu divertimento. Moral da história: Para mim o jornalismo não é somente uma formação acadêmica e sim uma paixão que nasceu muito antes de colocar os pés numa faculdade. Só ingressei na faculdade de Jornalismo em 2012 após desistir da faculdade de Filosofia na aposta de ser padre (risos).
Como é a sua rotina de trabalho? Pode descrever as tarefas e funções que desempenha?
Dione: A minha rotina é dividida em duas partes, sendo pela manhã praticada numa agência de consultoria em Relações Públicas e, pela tarde, exercendo o lado de repórter na Revista Viver Brasil, de Belo Horizonte e no Portal Terra. Primeiramente, dentro da agência que mencionei, tenho a tarefa de entender a dor do cliente. Essa é a prática de compreender quais são as falhas e as soluções dentro das expectativas que o cliente solicita, e por meio de um diagnóstico, desenvolvo um planejamento de comunicação estratégica. Nele, desenho as ações para criar relacionamento entre mídia e marca, além de desenvolver propostas de produção de conteúdo para gerar leads e em seguidas executá-las na prática. Já na minha rotina como repórter, procuro também criar relações que agreguem de alguma forma em minha caminhada como pessoa e profissional. Escrevo para os assuntos de cultura e de mercado que têm as pautas sugeridas pela coordenação de reportagem. Depois de finalizadas, envio os conteúdos escritos ou midiáticos (vídeos) para a aprovação da coordenação. Após aprovados, os materiais são publicados ou, caso contrário, são guardados na gaveta para um outro momento. Diferentemente de muitos veículos de TV e rádio, no impresso e em sites não temos a função dos apuradores e produtores, pois quem acumula essas funções são os editores de texto ou até mesmo os próprios repórteres.
Quais são os principais desafios da profissão?
Dione: A “prostituição” do mercado. Isso tem se tornado muito comum, por exemplo, no segmento das assessorias de imprensa. Existem profissionais de comunicação que não se valorizam e, por não se valorizarem, não valorizam o próprio trabalho e acabam oferecendo um custo pelos serviços praticados muito abaixo da concorrência, o que coloca em jogo todo o mercado competitivo.
Como você avalia o mercado de trabalho?
Dione: Para falar de um cenário contemporâneo, nos últimos cinco anos, por exemplo, o mercado de comunicação no Brasil viveu uma agressiva transformação. Do mais comum até o menos esperado – jornalistas em rotatividade, redações sendo remodeladas e a chegada de uma das maiores emissoras de televisão do mundo ao país, a CNN. Como nunca, os jornais impressos e televisivos têm ganhado assinantes para acessarem os seus conteúdos privados em sites e plataformas de streaming, segundo pesquisas qualitativas e quantitativas. Outro ponto importante é a expansão do jornalismo hipermidiático e inclusivo, ou seja, o processo de levar a notícia ficou mais amplo e ‘multiacessível’.
Com a pandemia, o que mudou na sua rotina de trabalho? Como é o acesso às fontes?
Dione: Hoje, a flexibilização da minha rotina é um resultado das restrições da pandemia impostas pelo isolamento social. Dificilmente vou à redação ou sequer acontecem as reuniões de pauta presenciais. Praticamente tudo é feito de casa ou da rua, pois é a abordagem da pauta que comanda os ritmos. Já os contatos e entrevistas, na sua grande maioria, são feitos por telefone e em alguns casos por plataformas como o Zoom ou o Skype. Porém, há situações que exigem que me desloque até o fato para fazer registros fotográficos autoriais, como é o caso de uma entrevista exclusiva ou uma coletiva de imprensa ainda no formato tradicional.
Você sofre a pressão das “multifunções” do jornalista? Acha que fica sobrecarregado?
Dione: Já sofri muito a ponto de ver o reflexo da ansiedade e o estresse afetarem a minha saúde e o meu corpo. Nos últimos meses melhorei bastante, a partir do momento em que decidi mudar de emprego e fazer mudanças necessárias, como um plano alimentar e a prática da espiritualidade por meio da natureza. Hoje, trabalho em casa e com plantas no meu ambiente, o que tem melhorado a disposição e criatividade. Outro ponto importante é que aprendi a dizer mais “não” do que “sim”, porém apresentando uma solução do que apenas dar a negativa. Isso tem valorizado mais o meu trabalho.
Por: Carla Marques